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para o Paulo, com amor.

  • Foto do escritor: Izabela Almeida
    Izabela Almeida
  • 13 de mai. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de mai. de 2023

Esse poderia ser um texto de despedida, mas é impossível eu me despedir de você, Paulo Gustavo. Das suas risadas altas e do seu humor inteligente e sagaz, tão presentes ainda pra mim. A verdade, é que mal posso acreditar no que aconteceu. Quem me conhece sabe que, dia após dia, via e revia todos os seus filmes, vídeos e entrevistas. E não, eu não o conhecia pessoalmente e nunca fui próxima à você, mas quem disse que é preciso conhecer uma pessoa pessoalmente para amá-la?


Amor vêm da identificação. Do encontrar no outro o reflexo da gente. Você tinha uma energia intensa, impossível de não ser sentida, mesmo que de longe. Como não amar? Tinha uma presença forte, carismática. Brincava de falar sério sobre o que realmente importava. Era imponente, autêntico e encantador. Entrou na minha casa pela porta da frente, de mãos dadas com Thales em um programa de TV em horário nobre. Quem poderia imaginar? Um casal homossexual, em um programa da TV brasileira, apresentando seus filhos? Revolucionário. Mais do que isso, necessário. Só mesmo você pra conseguir algo tão grandioso assim.


Você era necessário pra gente. Pra fazer a gente rir com a Dona Hermínia. Pra falar sobre a família das várias formas como ela pode ser. Pra falar do amor entre pais e filhos. Pra falar da importância dos amigos. Ah, os amigos! Tenho vários como você. Engraçados, divertidos, inteligentes, hilários. Tive a sorte de encontrar alguns "Paulos" pela vida e é pra eles também que hoje escrevo esse texto. Pra falar sobre o agora.


Sinto que preciso dizer a eles algo que sei que você diria - Vive agora, gente! Não deixa pra depois não. Eu, tão imediatista e intensa, sempre encontrei pelo caminho amigos que vivem o depois. Queria tanto pedir à todos que vivessem o agora. Que fizessem hoje, sabe? A gente precisa sim se planejar e pensar no amanhã, porque afinal, a gente quer que ele exista. Mas fazer hoje, agora, é tão importante quanto.


Ouvi a Mônica dizer, depois de voltar ao Saia Justa, que você tinha pressa em viver. Entrava em uma loja, comprava um casaco de brilho e já saía usando. Não esperava ter uma festa pra ir. Abria uma garrafa do seu melhor vinho em plena terça-feira. Comemorava. Celebrava pequenas conquistas. Amava e dizia que amava. Era coerente - agia como pensava. Talvez por isso eu me identifique tanto com você. Eu não sei pensar e agir de outra forma. Queria tanto encontrar mais pessoas assim, ou convencer meus amigos a se jogarem um pouquinho mais. Pra você, que tá lendo agora: se joga, gente! Vive agora, não fica pensando não. A gente precisa de gente que pensa e faz. Que sente e diz. Que quer e vai.


Você não tá mais aqui agora, Paulo. A gente não vai mais ouvir aquela sua risada gostosa, sem ser em algum registro que você nos deixou. Mas tenho certeza de que você viveu tudo o que pôde. Tudo o que quis e tentou. Porque não deixou pra depois. Eu gostaria que você tivesse tido mais tempo pra realizar muitos outros sonhos, planos, peças, filmes e séries pra gente. Eu gostaria que você pudesse criar o Gael e o Romeu ao lado do Thales. Que você pudesse homenagear dona Déa em novas histórias com Dona Hermínia. Eu gostaria. Mas fico de coração quentinho em ver tudo o que você fez pra gente. E em sempre fazer tudo o que posso, assim como você, sem deixar pra depois.


E pra você aí que tá lendo esse texto, tá esperando o que pra começar a vida agora?






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